segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Telhados - começando de cima pra baixo

O Início da Construção de Uma nova Forma de ver as Cidades


Esse último final de semana (21 e 22 de agosto de 2009) marcou o início da nossa caminhada, rumo a uma nova forma de ver as cidades. Foi dado início a Especialização em Ecologia Urbana: construindo a cidade sustentável com a participação de dois palestrantes que despertaram muitas reflexões. O prof. Waldemiro Gremski falou sobre Sustentabilidade e o papel das Universidades e dos Empresários, simplesmente fantástica as colocações e os pontos levantados sobre o papel que cada segmento da sociedade deve tomar em prol da consolidação de atitudes coletivas que visa a qualidade de vida de todos. De fato, se todas as empresas começarem a exigir dos seus fornecedores um procedimento socioambiental e avaliando os procedimentos e as atitudes dos que estão mais próximos, com tempo teremos uma complexa teia de prestadores e fornecedores que incorporarão esses novos paradigmas “naturalmente” que contribuirá com todo o sistema. A Segunda palestra foi da bióloga da Secretaria do Meio Ambiente de Curitiba a Msc Claudia R. Boscartin que nos apresentou uma palestra brilhante, além da sua habilidade em transmitir a informação, a paixão e o envolvimento com a questão ambiental transborda e nos envolveu completamente. Eu particularmente fiquei encantada com o trabalho realizado pela prefeitura e não conhecia a amplitude do programa de recuperação e conservação da bacia do rio Barigui. De fato fiquei muito impressionada e feliz por me sentir menos solitária nessa jornada. Nós tivemos também a grata presença da Dra. Leny Cristina Milléo Costa e da Msc. Márcia Arzua, também professoras do Curso e do Prof. Luiz Antonio Acra. Nosso coquetel de boas vindas teve muitas frutas, as quais além de remeter a sustentabilidade, nos traz um hábito alimentar mais saudável e reduz a produção de lixo advindo de copinhos de plásticos e garrafas pet – aprovado!
No segundo dia nós conversamos sobre evolução tanto do comportamento social, do homem e das cidades... no final do sábado fizemos a atividade de avaliação - que pra mim fechou com chave de ouro nosso primeiro encontro. Os alunos assumiram o papel de órgãos governamentais, empresários, terceiro setor e população e através do olhar de cada segmento apresentaram o principal problema socioambiental pra eles e como os demais segmentos deveriam resolver “o seu problema”. O debate foi muito estimulante, gostei muito da participação de todos e dos caminhos por onde entramos. A pesar de parecer difícil, temos esperança que conseguiremos. Nós concluímos que para o ser humano que evoluiu um sistema social baseado em pequenos grupos - e uma afinidade muito grande pelo seu clã e ainda vem de uma espécie exploradora – despertar nas pessoas a consciência do uso racional e do pensar coletivo em grande escala é um desafio enorme... é algo “anti-natural” “anti-intuitivo” “anti-institivo” assim devemos fazer racionalmente e conscientemente... Desafios, desafios... Felizmente não estamos sozinhos.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Aviso no.1 Início das Aulas

As Aulas do Curso de Especialização em Ecologia Urbana: Construindo a Cidade Sustentável iniciam nessa sexta 21.8.9 às 19h na sala I do Prédio de Exatas na PUCPR. A primeira disciplina é Introdução à Ecologia Urbana será ministrada na sexta (21.8.9) e Sábado (22.8.9). Vamos construir uma nova forma de ver as cidades?

Espécies Invasoras (Texto: Dra. Marta Luciane Fischer)


Homem – espécie invasora?


Os primeiros hominídeos eram flexíveis e adaptáveis em seu comportamento, toleravam uma grande diversidade de condições ecológicas e climáticas e eram capazes de expansão demográfica e geográfica. Moram (1994) fez um amplo estudo da adaptabilidade humana e ressaltou que ela se manifesta tanto em termos socioculturais quanto fisiológicos, sendo que ambos proporcionam um mecanismo mais rápido para aumentar as chances de sobrevivência do que as mudanças fenéticas. Por isso, o autor ressaltou a importância da união de biólogos do comportamento humano e cientistas sociais sob a mesma estrutura ecológica para compreender de fato como se processa a adaptabilidade humana. Essa história de sucesso resultou em um grande preço a ser pago, devido ao aumento da pressão sobre os recursos. Assim, a dispersão por novas regiões, e não apenas o aumento da densidade populacional, foi a grande marca dos humanos (Foley, 1998). Segundo Foley (1998), as conseqüências dos humanos são assustadoras e já vem de longa data. Há cerca de 10 mil anos muitos ambientes e paisagens foram transformamos pela atividade humana. Desertos como do Saara se intensificaram, florestas foram destruídas completamente, sistemas fluviais foram alterados, foram criados lagos e represas. Nos últimos 400 anos a população humana passou de poucas centenas para quase sete bilhões. A ação do homem na natureza hoje é evidente, mas desde que começou a cultivar as plantas e criar os animais vem contribuindo para alterar forma, tamanho e comportamento dos organismos, chegando ate a criar novas espécies. O surgimento do homem marca outra fase importante de extinções. O homem pré-histórico afetou populações de faunas de continente inteiros, principalmente devido ao desperdiço da caça da megafauna. Grandes eventos de extinção dessa fauna foram registrados na Austrália a 40-50 mil anos, na Europa de 20-30 mil anos e nas Américas há pouco mais de 10 mil anos. No Pleistoceno a América do Norte perdeu 73,3% dos gêneros da sua megafuana, a América do Sul, 79,6% e a Austrália, 86,4%. Nas ilhas da Oceania a chegada dos humanos mais os seus comensais (e.g. ratos e gatos) resultaram em um impacto pré-historico que durou de 1.000 a 3.000 anos levando a extinção de 8.000 espécies de aves. Essas extinções seguiram as pegadas do homem e cronologia das extinções corresponde à chegada do homem nesses locais (Fernandez, 2004). Provavelmente isso se deu devido a esses animais não terem nenhum instinto para se defender dessa nova espécie invasora. Desde então, todo o planeta tem sofrido impacto diante a atividade massiva humana (Mooney & Cteland, 2001). Na Austrália mais do que 85% de gêneros terrestres com mais de 44 kg se extinguiram no final do Pleistoceno, provavelmente devido ao impacto humano (Miller et al., 1999). Os autores acreditam que ação humana sobre uma vegetação não pré-adaptada resultou e uma diminuição dramática na quantidade de árvores e arbustos do continente para o interior, causando estresse na fauna dependente, somando assim a seca e a predação humana, levando a megafauna à extinção. Nesse cenário, o próprio ser humano se comportou como uma espécie invasora, sendo o fenômeno mais antigo que imaginávamos (Wilson, 1992). Fernandez (2004) caracteriza bem os impactos das comunidades primitivas na natureza mostrando o exemplo do pueblo do Chaco Canyon. Estes se constituem de ruínas presentes no deserto do Novo México. Até pouco tempo se questionava porque esses índios teriam feito uma construção maciça de cinco andares com 650 habitações de mais de 201 metros de comprimentos por 95 de largura que podiam alojar 3 mil pessoas, no meio do deserto. Essa construção foi feita usando 200 mil troncos de árvores de 5 metros cada. Na verdade essa era o maior de vários pueblos construídos pelos anasazi. Com os estudos arqueológicos se descobriu que na verdade esse pueblo foi construído no meio de uma floresta, que foi totalmente dizimada para utilização da madeira e para agricultura. Os índios tentaram salvar a agricultura da erosão fazendo canais de irrigação, no entanto foi em vão, ao final de 300 anos a região se transformou em um deserto hostil, abandonando assim a região. O oriente médio já foi uma área muito fértil, o caminho da civilização que passo pela Grécia, Roma e Europa deixou um caminho de devastação. Segundo Fernandez (2004), a crise ecológica não é um aborrecimento passageiro, pois acompanha o homem ao longo da sua história. Ignorar esse fato não causa apenas um incomodo estético, mas a ruína da própria civilização.

O outro evento de impacto humano foi a chegada dos europeus às Américas - Conhecida como Era da Exploração - quando foram criadas verdadeiras brechas nas barreiras biogeográficas que isolavam biotas continentais por bilhões de anos. Inicialmente foi feito o transporte das espécies domesticadas, sendo registradas cerca de 1.500 só para o velho mundo (Mack et al. 1999). Segundo Primack & Rodrigues (2001), os europeus introduziram centenas de espécies de mamíferos (e.g. gado, porco, ovelhas e cabras) e aves nas colônias, a fim de terem um ambiente familiar. Junto com as plantas vieram as ervas daninhas e os insetos. As introduções podem ser intencionais e não intencionais, legais ou ilegais, o fato é que o transporte de espécies ao redor do mundo é muito antigo. O comércio internacional - que gera as riquezas dos países - movimentam as espécies de um local para outro e ironicamente diminuem a diversidade (Mooney & Cteland, 2001). Atualmente o enorme volume de exportações, a globalização e as tecnologias que diminuíram muito o tempo de viagem e aumentaram o fluxo, aumentam potencialmente o transporte de sementes, doenças e pequenos organismos, seja através das embalagens utilizadas nas mercadorias, água de lastro ou mesmo através dos turistas. Ratos europeus que chegaram nos navios colonizaram inúmeras regiões de porto. Doenças como varíola, sarampo, malária e difteria entre tantas outras, dizimaram populações humanas sendo levadas pelos Europeus (UCS, 2001). Inúmeras espécies são levadas de um lugar para o outro, porém menos de 30% conseguem efetivamente se estabelecer, pois encontram muitas barreiras bióticas e abióticas. Ainda, dessas a maioria (99%) se instala e se naturaliza sem causar maiores dados para o ambiente e apenas uma quantidade muito pequena se estabelece e se torna invasora usando os recursos de outras espécies. Essa porcentagem mínima é hoje considerada a segunda causa de perda de biodiversidade, perdendo apenas para a destruição de habitat (UCS, 2001).


terça-feira, 11 de agosto de 2009

Para refletir (por Paula Batista dos Santos)

O desafio das Megacidades

A maior parte da população mundial vive em cidades com mais de 5 milhões de habitantes. O gigantismo dessas aglomerações causa os mais variados problemas, mas também é sinônimo de muito potencial humano, criatividade e inovação

Em 1950, 30% da população mundial vivia nas cidades. Cinquenta e sete anos depois, o percentual já havia superado os 50% (cerca de 3,3 bilhões de pessoas, em números absolutos), e pode atingir 60% por volta de 2030. Tamanho crescimento urbano, principalmente nos países em desenvolvimento, gera uma imensidão de oportunidades e desafios.

Por definição, megacidades são áreas urbanas com mais de 5 milhões de habitantes. Os cientistas estimam que, por volta de 2015, o mundo terá cerca de 60 megacidades, as quais abrigarão mais de 600 milhões de pessoas. Atualmente, é nessas áreas que ocorre a maior parte do processo de urbanização global.

As megacidades são mais do que apenas grandes cidades. Suas dimensões proporcionam novas dinâmicas e uma diferente complexidade e simultaneidade de fenômenos e processos - físicos, sociais e econômicos. Elas também são palco de interações intensas e intrincadas entre diferentes processos demográficos, sociais, políticos, econômicos e ecológicos. Naquelas que apresentam períodos de elevado crescimento econômico surgem frequentemente oportunidades consideráveis, bem como fortes pressões no sentido de mudanças, geralmente acompanhadas por degradação ambiental.

No mundo em desenvolvimento, as megacidades tendem a crescer mais rapidamente do que o dimensionamento de suas infraestruturas o permitiria. Essa expansão descontrolada pode originar grandes volumes de tráfego, elevadas concentrações industriais e sobrecargas ambientais; pode desregular e inflacionar os mercados imobiliários, levar a um planejamento habitacional deficiente e, em alguns casos, originar o convívio lado a lado de situações extremas de pobreza e riqueza, promovendo tensões sociais.

As megacidades caracterizam-se por uma enorme diversidade demográfica. Nelas coexistem com frequência grupos de várias etnias, comunidades e estratos sociais com diferentes raízes culturais e estilos de vida. Devem ainda ser consideradas as variações de crescimento econômico, a polarização social, a qualidade das infraestruturas e de intervenção pública.

Tal escala e dinamismo, a complexa interação de processos e a concentração absoluta de capital humano tornam as megacidades incubadoras de enorme crescimento e inovação. Elas são os focos da globalização, bem como os motores para o desenvolvimento; é nelas que se encontra um vasto leque de capacidade e de potencial humano, criatividade, interação social e diversidade cultural.

As megacidades são igualmente um foco de risco global. Caracterizam-se por um aumento permanente de sua vulnerabilidade por abrigarem casos de pobreza extrema, desigualdades sociais e degradação ambiental, fatores os quais estão inter-relacionados por intermédio de um sistema complexo de fornecimento de bens e serviços. Os indivíduos oriundos de diferentes grupos socioeconômicos e quadrantes políticos correspondentes poderão ser segregados geograficamente, criando disparidades e conflitos. A densidade populacional aumenta a vulnerabilidade relativa a fenômenos físicos com potencial destrutivo, naturais ou induzidos pelo homem. Assim, as megacidades, expostas ao ambiente global e às mudanças socioeconômicas e políticas, agravam o risco que recai sobre elas.

Em muitas megacidades, uma participação pública deficiente inibe a gestão do território, a regulamentação e gestão da edificação, os serviços básicos (como o abastecimento de água, a rede de esgotos e a distribuição de energia) e o estabelecimento da ordem (incluindo segurança e prevenção de desastres). As administrações atuais e suas estruturas organizacionais podem ter sido ultrapassadas pelo ritmo rápido da expansão urbana e não conseguir lidar com a dimensão de suas novas responsabilidades. É preciso também considerar que atividades e processos informais poderão assumir um papel de extrema importância no desenvolvimento das megacidades.
As megacidades são ideais para pesquisadores nas áreas das ciências sociais, da Terra, do ambiente e da medicina investigarem os impactos das atividades socioeconômicas e políticas nas mudanças ambientais e vice-versa, assim como identificar soluções para os problemas mais graves. Por essas razões, o estudo das megacidades pode contribuir significativamente para a justiça, a paz e a prosperidade global.

A qualidade de vida depende das percepções individuais, das atitudes, aspirações e sistemas de valores. Esses aspectos variam com a idade, a etnia, a cultura e a religião, bem como com os estilos de vida, a educação e o passado cultural. Contudo, para muitos moradores das megacidades, sejam eles ricos ou pobres, a qualidade de vida é habitualmente reduzida. A poluição do ar, da água e dos solos, as deficiências nos abastecimentos de água e de energia, o congestionamento do tráfego, os problemas de saúde ambiental, a exiguidade dos espaços verdes, a pobreza e a má nutrição, a segurança social e os problemas de segurança pública e social resultam em várias preocupações e restrições aos habitantes.

Um Ano Internacional dedicado ao planeta

A União Internacional das Ciências Geológicas (IUGS, na sigla em inglês), que representa cerca de 250 mil geocientistas de 117 países, proclamou um Ano Internacional do Planeta Terra 2007-2009 com o subtítulo "Ciências da Terra para a Sociedade". Os propósitos salientam a relação entre a humanidade e o planeta, e demonstram quanto os geocientistas são importantes na criação de um futuro equilibrado e sustentável.

Proclamado através da ONU, o Ano Internacional foi considerado atividade central pela Divisão das Ciências da Terra da Unesco. Ele também é apoiado por organizações congêneres da IUGS, como a União Internacional de Geodesia e Geofísica (IUGG, na sigla em inglês) e a União Geográfica Internacional (IGU, na sigla em inglês), além do Conselho Internacional para a Ciência (ICSU, na sigla em inglês).

Pelas diretrizes da ONU para a proclamação de anos internacionais, os assuntos elegíveis devem corresponder a uma "preocupação prioritária de direitos políticos, sociais, econômicos, culturais, humanitários ou humanos", envolvendo "todos os países (ou a maioria deles), independentemente do sistema econômico e social", e deve "contribuir para o desenvolvimento da cooperação internacional na resolução de problemas globais", dando especial atenção aos temas que afetam os países em desenvolvimento.



Nas megacidades do mundo em desenvolvimento, o planejamento urbano precisa se adaptar às diversas condições socioculturais, levando em conta as atividades informais, frequentemente dispersas e dinâmicas, que enriquecem essas comunidades. Novas perspectivas e instrumentos de gestão inovadores são agora necessários para melhorar a qualidade de vida num contexto intercultural.

Como poderemos alcançar megacidades mais sustentáveis, mais seguras e onde se verifique uma utilização mais equilibrada dos recursos? Elas precisam de recursos naturais e humanos para a energia, indústria, construção, infraestruturas e manutenção, e carecem desses recursos em tal quantidade que acabam por gerar elevados impactos locais e globais - a chamada "pegada ecológica" da megacidade.

O sucesso de uma megacidade deve ser medido em termos da sua produtividade econômica, equidade social e diversidade ambiental. Este último aspecto, que abrange vários tipos de uso do solo e de biótopos (áreas com condições ambientais uniformes que abrigam uma ou mais comunidades animais e vegetais, das quais são o hábitat) naturais e artificiais, torna as megacidades mais atrativas e estáveis. No entanto, as consequências do sucesso e das elevadas densidades populacionais incluem poluição, consumo de energia e desperdício. Esses aspectos levam a impactos ambientais locais e mesmo globais que precisam ser cuidadosamente entendidos, geridos e constantemente reduzidos.
A dispersão protagonizada pelas megacidades invade com frequência as áreas de condições menos favoráveis, mais sujeitas a acidentes naturais, como inundações ou deslizamentos de terra. Isso faz com que tanto o investimento inicial como a manutenção a longo prazo sejam mais dispendiosos. Os efeitos das mudanças ambientais e socioeconômicas mundiais podem agravar os riscos e prejudicar a qualidade de vida de muitas pessoas.

Uma densidade populacional crescente pode corresponder a maiores riscos para pessoas e bens, em face de acidentes naturais ou induzidos pelo ser humano. O progresso econômico traz prosperidade individual e social e bem-estar material (embora muitas vezes à custa de maior estresse individual, social e ambiental). Contudo, em momentos economicamente menos favoráveis, as consequências nos níveis do desemprego, da perda de coesão social, do colapso da segurança social e do desleixo ambiental podem ser dramáticas para os grandes aglomerados populacionais.

Para ser sustentável, o desenvolvimento deve ser encarado como investimento, e não como despesa. Apenas dessa forma poderá haver capital disponível para um futuro reinvestimento. No seio de uma megacidade, as autoridades devem controlar o tecido urbano e os padrões de ocupação do solo, no sentido de minimizar os efeitos ambientais negativos, quer para a própria cidade, quer para o espaço geográfico dela dependente. Isso requer uma gestão integrada dos recursos, da logística (tráfego) e dos resíduos, com a recuperação efetiva do investimento realizado, a reciclagem de lixo e de matérias em geral e, na medida do possível, a redução dos riscos para a saúde.

Diversas megacidades parecem já ter atingido seus limites físicos e de administração, e em muitas outras isso ocorrerá mais tarde ou mais cedo. Quando elas extravasam seu espaço geográfico próprio, os preços dos terrenos urbanos tornam-se proibitivos, levando à superexploração do uso do solo com o crescimento da altura das construções e a exploração de áreas subterrâneas. Os arranha-céus das megacidades do Velho e do Novo Mundo demonstram que operamos não só em duas dimensões, mas em três. Muitas dessas cidades, que experimentaram um crescimento dinâmico envolvendo a expansão e a construção rápida de arranhacéus, demonstram a influência de uma quarta dimensão (o tempo) no funcionamento das megacidades.

O desenvolvimento na superfície necessita de fundações seguras. Arranhacéus, viadutos, telecomunicações, corredores de energia e de eletricidade e muitos locais onde as pessoas vivem, fazem compras, se divertem e trabalham são construídos sobre e sob essa superfície. A concentração de infraestruturas e atividades pode reduzir a qualidade de vida e essas áreas podem tornar-se mais vulneráveis aos fenômenos físicos mais violentos, quer naturais, quer induzidos por ação antrópica. Na superfície, algumas dessas infraestruturas e empreendimentos, associados à degradação ambiental ou outras atividades indesejáveis, podem ser construídas em profundidade, melhorando- se significativamente a qualidade de vida na superfície.

O espaço no subsolo pode providenciar também um ambiente mais seguro para algumas atividades públicas e comerciais, assim como fornecer abrigo face a intempéries. Contudo, tais empreendimentos podem afetar o equilíbrio natural nos sistemas subterrâneos, levando a desastres capazes de condicionar ou comprometer o desenvolvimento no futuro.

O desenvolvimento requer planejamento e gestão do uso do solo, apoiados pelo conhecimento das condições e processos subsuperficiais, bem como suas interações com o uso e a gestão do solo urbano. O planejamento pode ser melhorado através de uma visualização tridimensional das áreas superficiais e subterrâneas, mapeando seus recursos e perigos, utilizando detecção remota de alta resolução e recorrendo a técnicas modernas de simulação.

No âmbito do Ano Internacional do Planeta Terra (AIPT), serão identificados e divulgados exemplos de gestão urbana equilibrada e segura, em associação com as administrações locais, organizações e moradores nas maiores megacidades do mundo. Esses exemplos poderão servir como modelos para o futuro.

Geógrafos e geocientistas têm um importante papel a desempenhar na gestão sustentável das megacidades. Sua contribuição trará um conhecimento mais aprofundado da complexidade dos processos socioeconômicos, uma gestão mais sensata dos recursos humanos e econômicos e a redução do risco natural e de origem antrópica.

Autores: Frauke Kraas (Departamento de Geografia da Universidade de Colônia, Alemanha), com Surinder Aggarwal (Departamento de Geografia da Delhi School of Economics, Índia), Martin Coy (Departamento de Geografia da Universidade de Innsbruck, Áustria), Grant Heiken (National Committee for Geology, EUA), Eduardo de Mulder (TNO Built Environment and Geosciences, Geological Survey of the Netherlands, Holanda), Brian Marker (presidente do IUGS/GEM International Working Group on Urban Geology, Londres), Keijo Nenonen (Geological Survey of Finland, Finlândia) e Woo-ik Yu (Departamento de Geografia da Universidade Nacional de Seul, Coreia do Sul).
FONTE: Revista Planeta Edição 438
PARA SABER MAIS
Site: www.yearofplanetearth.org

terça-feira, 28 de julho de 2009

Cidade das formigas... e nós adaptamos o meio a nós?

Ecologia Urbana: construindo a cidade sustentável...




O termo Ecologia Urbana refere-se a uma área da ecologia que visa estudar os sistemas naturais e as interações entre os seres-vivos dentro dos centros urbanos. Além de buscar avaliar o impacto das cidades em populações e comunidades de plantas e animais bem como nos fatores abióticos como água e clima, os profissionais que trabalham nas cidades devem entender as necessidades desses centros e as conseqüências resultantes dos “desequilíbrios”.

A migração de populações humanas para as cidades impõe grandes desafios ambientais desde a criação dos primeiros centros urbanos e tomaram elevadas proporções na atualidade. O desafio do novo milênio é encontrar novas perspectivas para os centros urbanos, a fim de viabilizar a sua existência. Para tanto, são debatidos problemas sérios como impermeabilização dos solos, emissão de gases nocivos, poluição das águas, geração de resíduos sólidos, intoxicação por produtos industriais, espécies animais, vegetais e doenças que causam sérios danos à saúde e carreiam prejuízos econômicos. Os centros urbanos são considerados por alguns estudiosos como superorganismos que possuem um metabolismo próprio e extremamente necessário para sua sobrevivência. Porém, para manter esse metabolismo, necessita de um consumo excessivo de recursos naturais, os quais vêm das áreas rurais e naturais. Assim, a busca de energias limpas, de alimentos saudáveis, de redução, reutilização e reciclagem de resíduos, do reflorestamento, manejo e conservação de áreas verdes e da saúde física, mental e social dos habitantes desses centros são pontos fundamentais para o funcionamento das cidades.

O foco principal do profissional que a atua nos centros urbanos é o ser humano, o agente, receptor e ator de todo o processo de ação antrópica. Logo, o próprio homem está sentindo as conseqüências do seu desenvolvimento tecnológico. A tecnologia foi a estratégia evolutiva adotada pela espécie humana com a finalidade de promover a sua sobrevivência, porém pode ser a causa da sua extinção. Em um primeiro momento o objetivo era estabelecer grupos sociais cada vez maiores e complexos. E, embora, as conseqüências desses aglomerados tenham sido notadas desde o início, estamos vivendo o momento de reflexões e ações efetivas que visem reverter uma situação considerada catastrófica por muitos.

Alterações em um “ambiente em equilíbrio” é comum, esperado e necessário. Seja um uma árvore velha que cai abrindo uma clareira, um vulcão em erupção, até meteoros gingantes que mudam a atmosfera por centenas de anos. Na verdade os cinco grandes eventos de extinção pelo qual nosso planeta passou, gerava muito mais diversidade durante o processo de recuperação. A partir do momento que o ser humano entra em ação ele altera o ambiente sem deixar chances de recuperação. Podemos citar inúmeras conseqüências dessa única espécie “pensante” em nosso planeta: infecção e extinção de nascentes de água e reservas subterrâneas, desmatamento, degradação do solo...

A entrada do ser humano no cenário evolutivo da vida do nosso planeta nos coloca diante do sexto fator de extinção, agora exercido por uma única espécie, e pior, que sabe o que está fazendo, sabe das conseqüências e felizmente, alguns deles, se preocupam em procurar uma solução....

Voltando ao início... quem irá mudar o rumo da evolução humana? Discutir a manutenção da vida no nosso planeta é uma obrigação de todos os segmentos da sociedade: a academia, os órgãos gestores, a comunidade... mas os principais atores são as pessoas, individualmente a consciência de si como ser coletivo e não individual. Na busca da sobrevivência da espécie e não apenas na sua sobrevivência imediata. Conscientizar é o mesmo que auto-conscientizar? Precisamos mudar atitudes, mudar paradigmas, o que envolve educação e ações de longa duração... como fazer isso se vivemos em uma época de informações rápidas, de viver o momento e de salvar a própria pele?


Me digam o que vocês pensam sobre isso...