quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Série Ferramentas de Comunicação Biologia Econômica e Sanitária: Bem-Estar Animal

Por: Janaíne Rocha e Michele Borges

1. Folder

2. Cartilha


3. Documentário


domingo, 13 de novembro de 2011

Série Ferramentas de Comunicação Biologia Econômica e Sanitária: Bem-Estar Animal

Por: Andréa E. Cruz e Ludimila M. Souza


1. Folder



2. Cartilha




3. Documentário


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Série Ferramentas de Comunicação - Biologia Econômica e Sanitária

Pragas Urbanas:
Ratos

Por Ana Lucia da Costa e Juliana Zacarkin

1. Folder




2. Cartilha




1. Documentário











domingo, 6 de novembro de 2011

Série Ferramentas de Comunicação - Biologia Econômica e Sanitária
Pragas agrícolas x Agrotóxicos

Por Gerson J Faria e Tiago Caglian

1. Folder





















2. Cartilha

















quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Invertebrados como Indicadores Biológicos

Série Ensaios: Doutorando Fernando Willyan Trevisan Leivas


Naturalmente ao longo da história evolutiva da terra mudanças ambientais são comuns, no entanto, historicamente o homem tem causado alterações ambientais intensas ou mesmo acelerado processos de transformações naturais. Dentre as distintas áreas da Biologia da Conservação, está o uso de organismos sensíveis aos efeitos da perturbação ambiental que, de certa forma, possam revelar informações relevantes para a conservação da biota. A fim de avaliar a saúde da biota ou integridade ecológica da paisagem é utilizada a possibilidade da seleção de táxons (espécies ou grupo de espécies) que possam representar outros membros do sistema. Esses representantes são denominados como indicadores biológicos ou bioindicadores e as respostas obtidas por meio estes grupos, idealmente, podem extrapoladas para o resto de sistema. Como cada organismo pode variar de maneira distinta as perturbações ambientais (de acordo com o tipo, intensidade e persistência do impacto) os indicadores biológicos podem ser divididos em: indicadores ambientais (indicam o estado biótico ou abiótico de um ambiente), indicadores ecológicos (representam o impacto da mudança ambiental em um hábitat, comunidade ou ecossistema) e indicadores de biodiversidade (indicam a diversidade de um subconjunto taxonômico, ou de toda a diversidade, dentro de uma área). Para o uso efetivo de um organismo como bioindicador não basta apenas que o mesmo responda perante as perturbações ambientais. Requisitos como diversidade conveniente, taxonomia bem resolvida, informações sobre história natural, ciclo de vida curto, fidelidade de hábitat, sedentarismo relativo e pouco uso humano são, entre outros fatores, requeridos para que o táxon possa ser utilizado com bioindicador. Neste contexto, os invertebrados podem ser efetivos como bioindicadores. Em geral eles apresentam respostas demográficas e dispersivas mais rápidas do que grande parte dos vertebrados e plantas, e podem ser amostrados em maior quantidade e em escalas mais refinadas do que os organismos maiores. Os dados gerados podem avaliar diferenças entre habitas ou fisionomias (saúde do hábitat em meio aquático ou terrestre), quanto a intensidade de impacto no ambiente, a qualidade da prática de manejo (na recuperação de áreas degradadas ou em áreas agrícolas) ou ainda os efeitos da fragmentação no sistema. O grupo de invertebrados mais utilizados como indicadores biológicos são os artrópodes, particularmente os insetos. Na avaliação de ambientes em meio aquático, os macroinvertebrados podem ser divididos quanto a sua tolerância frente as alterações ambientais. Os táxons sensíveis ou intolerantes se referem aqueles que necessitam de elevadas concentrações de oxigênio dissolvido na água para que ocorram no ambiente (principalmente os Ephemeroptera, Trichoptera e Plecoptera). Os organismos tolerantes são aqueles que permanecem no sistema por apresentarem certa resistência às alterações no ambiente (alguns moluscos, Diptera, Heteroptera e Coleoptera aquáticos e Odonata). No grupo dos invertebrados resistentes podemos citar as larvas algumas espécies de Diptera (Chironomidae) e Oligochaeta (minhocas aquáticas). Os invertebrados terrestres são importantes no monitoramente de sistemas agrícolas, são excelentes indicadores de estruturação da biota em áreas fragmentadas ou em distintos estágios de recuperação, e também podem gerar informações sobre o equilíbrio do ecossistema em áreas com pouca intervenção humana. Entre os invertebrados terrestres mais utilizados como bioindicadores estão as borboletas (principalmente as frugívoras), os besouros (Carabidae, Scarabaeidae e Staphylinidae) e as formigas (cortadeiras e legionárias). Ainda existem muitas barreiras para o uso de invertebrados como indicadores biológicos, principalmente em áreas tropicais pela carência no conhecimento da biodiversidade. Outros impedimentos como o uso de métodos de amostragem não apropriados ao grupo foco, falta de robustez na análise dos dados, ausência de informações sobre os recursos ecológicos dos táxons, e pouca correlação entre os padrões observados com os requisitos ecológicos dos táxons fazem com que o estudo de invertebrados como indicadores biológicos ainda seja embrionário em regiões tropicais. Apesar do conhecimento pré-existente sobre possíveis táxons bioindicadores, deve-se levar em consideração que as espécies possuem distribuição heterogenia e resposta distintas ao longo do globo terrestre. Uma avaliação particular comparando resultados com os de uma área “controle” (mesma formação vegetacional, porém com vegetação primária ou com grau de preservação melhor que da área de estudo) pode levar a uma interpretação robusta de qual táxon está respondendo de maneira mais informativa as alterações sofridas no ambiente.

Para saber mais:

Brown, K. S. Jr. 1997. Diversity, disturbance, and sustainable use of Neotropical forests: insects as indicators for conservation monitoring. Journal of Insect Conservation, n. 1, pp. 25–42.

Freitas, A. V. R. B.; Francini & Brown, K. S. Jr. 2003. Insetos como indicadores ambientais. In: Cullen Jr.; Rudra, R. & Valladares-Pádua, C. (orgs.). Métodos de estudos em biologia da conservação e manejo da vida silvestre. Editora da UFPR, Fundação O Boticario de Proteção à Natureza, p. 125–151.

Freitas, A. V. L.; Leal, I. R.; Uehara-Prado, M. & Iannuzzi, L. 2006. Insetos como indicadores de conservação da paisagem. In: Rocha, C. F. D.; Bergalo, H. de G.; Sluys, M. V. & Alves, M. A. dos S. (eds). Biologia da Conservação: Essências. Editora Rima. São Carlos, Brasil, p. 357384.

Lewinsohn, Thomas M.; Freitas, A. V. L.; Prado, P. I. 2005 Conservação de invertebrados terrestres e seus habitats no Brasil. Megadiversidade, v. 1, n. 1, p. 6269.

sábado, 15 de outubro de 2011

ENTOMOLOGIA FORENSE: e sua relação com a Ecologia Urbana

Série Ensaios: Mestranda Maria Fernanda Caneparo

A entomologia forense consiste em um campo das ciências forenses no qual o conhecimento da biologia e ecologia de insetos, e outros artrópodes, é aplicado para solucionar problemas de cunho legal (CATTS & GOFF, 1992; GREDILHA & LIMA, 2007). Diptera (moscas), Coleoptera (besouros), Lepidoptera (mariposas e borboletas), Hymenoptera (vespas, abelhas e formigas), Isoptera (cupins), Blattaria (baratas), Thysanura (traças), Anoplura (pulgas) e outros artrópodes como o Acari (ácaros) e Diplopoda (piolhos de cobra) são os grupos de interesse forense (SMITH, 1987; OLIVEIRA-COSTA, 2011). O estudo dos insetos pode ser categorizado de três formas de acordo com Lord & Stevenson (1986):

URBANA – a presença de insetos em áreas externas e/ou internas de imóveis pode prejudicar a compra e venda destes ou danificar suas construções, incluindo ações cíveis. Baratas, mariposas e cupins são exemplos que se enquadram nessa categoria.

PRODUTOS ESTOCADOS – contaminação de insetos (usualmente besouros) em produtos estocados, como cereais, grão, farinhas, frutas secas, entre outros produtos.

MÉDICOLEGAL – os insetos podem ser utilizados para estimar o IPM (intervalo post mortem) e prover informações complementares relacionadas ao crime (LORD & STEVENSON, 1986; BENECKE & LESSIG, 2001; OLIVEIRA-COSTA, 2011).

A carcaça ou cadáver é um recurso nutricionalmente rico, porém efêmero, que atua como fonte alimentar e abrigo para uma entomofauna ampla e variada (HANSKI, 1986). Os insetos podem desempenhar papéis diferentes neste ambiente de acordo com seus comportamentos de alimentação e são classificados em quatro guildas ecológicas: necrófagos; parasitas e predadores; onívoros; e acidentais (HANSKI, 1986; OLIVEIRA-COSTA, 2011; VILLET, 2011). Os necrófagos utilizam a matéria orgânica em decomposição como fonte proteica (OLIVEIRA-COSTA, 2011). Os parasitas usufruem da entomofauna cadavérica, da qual retiram os meios para o seu próprio desenvolvimento, já os predadores alimentam-se do corpo do inseto em si – de formas adultas e/ou imaturas (HANSKI, 1986; VILLET, 2011). Os onívoros são insetos com uma dieta ampla, alimentam-se tanto dos corpos quanto da fauna associada (HANSKI, 1986; OLIVEIRA-COSTA, 2011). E os insetos acidentais são os que se encontram ao acaso no cadáver, sua presença pode ser explicada pela frequência em que são encontrados naturalmente em determinadas regiões (OLIVEIRA-COSTA, 2011). O primeiro relato da literatura sobre a utilização de insetos como instrumento forense foi num livro chinês escrito por Sung Tz’u, em 1235. Essa obra relata que ocorreu um assassinato em um vilarejo chinês e o culpado foi revelado por sua ferramenta de trabalho conter resquícios de sangue, atraindo muitas moscas (CATTS & GOFF, 1992; BENECKE, 2001; OLIVEIRA-COSTA, 2011; PUJOL-LUZ et al. 2008). A partir de 1850 surgiram as primeiras pesquisas efetivas na área forense especialmente na França e Alemanha, sendo que esta se tornou mundialmente conhecida em 1984, através do livro sobre a fauna cadavérica de Mégnin, “La faune des cadavres” (BENECKE, 2001; OLIVEIRA-COSTA, 2011). O conceito rapidamente se espalhou pela América do Norte, que juntamente com a Europa Central, começaram a produzir estudos mais profundos relacionados à entomologia forense (BENECKE, 2001). No Brasil, os primeiros a abordar o tema foram Edgard Roquette-Pinto e Oscar Freire em 1908 (PUJOL-LUZ et al., 2008), sendo que recentemente houve um maior enfoque dos pesquisadores brasileiros em decomposição, sucessão entomológica e fauna cadavérica (MONTEIRO-FILHO & PENEREIRO, 1987; SOUZA & LINHARES, 1997; MOURA et al. 1997, 2005; CARVALHO et al. 2000, 2004; CARVALHO & LINHARES, 2001; MOURA, 2004; GOMES & VONZUBEN, 2005; GOMES et al. 2006; MISE et al. 2007, 2010; SOUZA et al. 2008; CARVALHO & MELLO-PATIU, 2008; ALMEIDA & MISE, 2009). O conhecimento adquirido sobre biologia, ecologia e taxonomia de insetos somados aos avanços gerais na tecnologia culminaram em relações estreitas entre a polícia investigativa e a entomologia forense, especialmente nas últimas décadas. Tal fato estimula o interesse nessa área, tanto por parte dos pesquisadores, médicos legistas e peritos, quanto por parte da população geral e produtores “hollywoodianos” ou de séries de tv.

REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

ALMEIDA, L. M. & MISE, K. M. 2009. Diagnosis and key of the main families and species of South American Coleoptera of forensic importance. Revista Brasileira de Entomologia 53: 227-244.

BENECKE, M. 2001. A brief history of forensic entomology. Forensic Science International 120: 2-14.

BENECKE, M. & LESSIG, R. 2001. Child neglect and forensic entomology. Forensic Science International 120: 155-159.

CARVALHO, C. J. B. & MELLO-PATIU, C. A. 2008. Key to the adults of the most common forensic species of Diptera in South America. Revista Brasileira de Entomologia. 52(3): 390-406.

CATTS, E. P. & GOFF, M. L. 1992. Forensic entomology in criminal investigations. Annual Review of Entomology 27: 253–272.

GOMES, L. & VON ZUBEN, C. J. 2005. Study of the combined radial post-feeding dispersion of the blowflies Chrysomya megacephala (Fabricius) and C. albiceps (Wiedemann) (Diptera, Calliphoridae). Revista Brasileira de Entomologia. 49(3): 415-420.

GOMES, L; GOMES, G; OLIVEIRA, H. G. O; SANCHES, M. R. & VON ZUBEN, C. J. 2006. Influence of photoperiod on body weight and depth of burrowing in larvae of Chrysomya megacephala (Fabricius) (Diptera, Calliphoridae) and implications for forensic entomology. Revista Brasileira de Entomologia 50: 76-79.

GREDILHA, R. & LIMA, A. F. 2007. First record of Necrobia rufipes (De Geer, 1775) (Coleoptera; Cleridae) associated with pet food in Brazil. Brazillian Journal of biology 67(1): 187.

HANSKI, I. 1986. Nutritional ecology of dung and carrion feeding insects. In: SLANSKY, F. & J. G. RODRIGUEZ (Ed.). 1986. Nutrional ecology of insects, mites and spiders. New York: Jonh Wiley.

LORD, W. D. & STEVENSON, J. R. 1986. Directory of forensic entomologists, 2nd. Ed. Def. Pest Mgmt. Info. Anal. Center, Walter Reed Army Medical Center, Washington, D.C. 42 p.

MISE, K. M; ALMEIDA, L. M. & MOURA, M. O. 2007. Levantamento da fauna de Coleoptera que habita a carcaça de Sus scrofa L., em Curitiba, Paraná. Revista Brasileira de Entomologia. 51(3): 358-368.

MISE, K. M; SOUZA, A. S. B; CAMPOS, C. M; KEPPLER, R. L. F. & ALMEIDA, L. A. 2010. Coleoptera associated with pig carcass exposed in a forest reserve, Manaus, Amazonas, Brazil. Biota Neotropica 10: 321-324.

MONTEIRO-FILHO, E. L. A. & PENEREIRO, J. L. 1987. Estudo de decomposição e sucessão sobre uma carcaça animal numa área do estado de São Paulo, Brasil. Revista Brasileira de Biologia 47: 289-295.

MOURA, M. O; CARVALHO, C. J. B. & MONTEIRO-FILHO, E. L. A. 1997. A preliminary analysis of insects of medico-legal importance en Curitiba, State of Paraná. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz 92: 269-274.

MOURA, M. O. 2004. Variação espacial como mecanismo promotor da coexistência em comunidade de insetos necrófagos. Revista Brasileira de Zoologia 21: 409–419.

MOURA, M. O; MONTEIRO-FILHO, E. L. A. & CARVALHO, C. J. B. 2005. Heterotrophic Succession in Carrion Arthropod Assemblages. Brazilian Archives of Biology and Technology 48(3): 473-482.

OLIVEIRA-COSTA, J. 2011. Entomologia forense: quando os insetos são vestígios. Campinas. Ed. Millennium. 3ª ed.

PUJOL-LUZ, J.R; ARANTES, L. C. & CONSTANTINO, R. 2008. Cem anos de Entomologia Forense no Brasil (1908-2008). Revista Brasileira de Entomologia 52(4): 485-492.

SMITH, K. 1987. A Manual of Forensic Entomology. Cornell University Press.

SOUZA, A.M. & LINHARES, A.X. 1997. Diptera and Coleoptera of potential forensic importance in southeastern Brazil: relative abundance and seasonality. Medicine and Veterinary Entomology 11(1): 8-12.

SOUZA, A.S.B., KIRST, F.D. & KRÜGER, R.F. 2008. Insects of forensic importance from Rio Grande do Sul State in southern Brazil. Revista Brasileira de Entomologia 52(4): 641-646.

VILLET, M. H. 2011. African Carrion Ecossistems and relation to Foresnsic Entomology.Pest Technology.Global Science Books (5). 1- 15p.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Animais problemas – Quem é o Problema?




Mestranda Lays Cherobim Parolin

Com o crescimento da população mundial e eventual aumento das áreas usadas para moradia, agricultura, pecuária e indústria, o homem tem estado cada vez mais em contato com animais silvestres. Contradição? Não! Esta proximidade que trato não é a sentimental, o vínculo afetivo. Mas sim a proximidade física com diversos grupos, que tem seu hábitat destruído ou severamente diminuído. Este estreitamento trouxe consigo uma série de doenças transmissíveis também ao homem, como a Leishmaniose, Toxoplasmose, Raiva, Leptospirose, Febre maculosa, entre muitas outras (Zoonoses e doenças emergentes). A raiva, apesar de ser associada principalmente aos morcegos hematófagos, pode ser transmitida por todos os mamíferos (Mapa da Raiva no Brasil).

O problema da proximidade dos animais com os humanos traz a tona também a questão dos animais sinantrópicos (aqueles que utilizam as habitações humanas como abrigo e fonte de alimento), que geram sujeira, desconforto, medo e na grande maioria dos casos, não se sabem como realizar o manejo, como por exemplo, as pombas (Pombal Londrina). Além delas, podem-se destacar os ratos, os morcegos (olha eles aí de novo!), gambás e até alguns primatas. No caso de ratos silvestres, a conhecida “ratada” (grande número de roedores se alimento das sementes de taquara, na época da seca da taquara, fato corrente de 30 em 30 anos) traz uma série de problemas traz consigo a possibilidade de muitas doenças, como a Hantavirose (Florescimento taquara) Além disso, as frequentes enchentes pelo país também trazem animais que não faziam parte do convívio humano, como as cobras (Enchentes cuidados). No caso das peçonhentas, a população ainda não sabe como proceder, ou ainda os centros de saúde não estão devidamente equipados para estas situações.

Mas não para por aí. Outras espécies silvestres entram em contato o ser humano, sejam nas áreas rurais ou urbanas, causam problemas. Exemplos não faltam, como no caso dos ursos-pardos na América do Norte, Europa e Ásia. A espécie é tratada como um problema, já que invade as cidades e casas em busca de alimento (Human impact on a brown bear population (Ursus arctos L.). Exemplos brasileiros também são muitos, como macacos que roubam comidas nas casas, tamanduás em jardins, onças que atacam o gado, gatos e cachorros-do-mato nos galinheiros, ou que mesmo adentram as cidades, como se tem visto nos noticiários (Animais selvagens na cidade). Como vemos, apesar do número crescente de casos como estes, a população não sabe como agir, causando grande stress no animal, podendo ocasionar injúrias ou até a morte. Isto se repete em diversas localidades do país, já que não se sabe como manejar estes animais ou como proteger a população de possíveis doenças.

E a pergunta que não quer calar, culpa de quem? Quem é o problema? Os animais não-humanos que tem seu ambiente cada dia mais reduzido e empobrecido, pressionado pela expansão dos animais-humanos? Ou nós, os homens, seres racionais, “superiores”, que estamos trazendo isto para nós? Acredito que esta questão seja de fácil resposta.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Espécies Invasoras: Caso do Caramujo Gigante Africano no Brasil


M.Sc. Eduardo Colley

A invasão biológica é o processo pelo qual uma espécie é introduzida fora de sua área natural de ocorrência, onde se adapta e passa a exercer dominância sobre os ecossistemas nativos causando efeitos negativos e gerando impactos. Estes organismos são denominados “Espécies Exóticas Invasoras”. A invasão biológica corresponde a um problema de dimensão global ligada ao transito da população humana que carrega com sigo diversos tipos de organismos vivos de maneira intencional ou acidental. Atualmente as invasões biológicas são consideradas a segunda maior causa da perda de biodiversidade, por causarem impactos ambientais que alteram os ciclos ecológicos e geram homogeneização da biota. Além disso, também são causadoras de diversos problemas de ordem econômica, social e de saúde pública. O impacto causado pelas espécies invasoras evidencia a ineficiência na prevenção das invasões, bem como na detecção e no controle dos casos diagnosticados. Apesar dos vários estudos sobre o tema, a falta de diretrizes para elaboração de programas de manejo, que conciliem a teoria ecológica e a prática conservacionista, tem impedido a efetivação das ações de manejo das espécies invasoras.

No Brasil, um caso de invasão atual e comum a muitos municípios do país, é o Caramujo Gigante Africano Achatina fulica Bowdich, 1822. O molusco é considerado uma das cem piores espécies exóticas invasoras do planeta, uma vez que seus hábitos generalistas favorecem a adaptação e a colonização de diferentes ambientes. O caramujo se tornou um sério problema ambiental e econômico nas áreas onde foi introduzido, devido à competição por alimento e espaço com a fauna nativa e à destruição de cultivos agrícolas. A espécie também é considerada um problema de saúde pública, por ser hospedeira de nematóides causadores da angiostrongilíase humana. A dispersão passiva, intencional ou acidental, é o principal meio de disseminação do caramujo. O caramujo africano foi introduzido no país ao final da década de 1980, como alternativa para criação comercial e consumo humano. Atualmente a espécie ocorre em populações elevadas na área urbana de vários municípios de todos os estados brasileiros menos o Rio Grande do Sul gerando preocupação dos órgãos gestores.

Um protocolo para o diagnóstico e monitoramento das populações nas áreas onde o caramujo se tornou invasor foi elaborado visando subsidiar e direcionar os planos de manejo com possibilidade de inferência da idade da população e determinação do melhor método de controle. No estado do Paraná o caramujo africano foi notificado em mais de 50% dos municípios. Ocorrem preferencialmente em áreas antrópicas, mas no município de Morretes já ocupam a vegetação nativa. O protocolo sugere que seja necessário analisar dados relativos ecologia e a biologia da população do caramujo e caracterizar o modo pelo qual a sociedade percebe o animal, além dos dados sobre a chegada da espécie ao local, os problemas decorrentes e métodos de controle utilizados pelas pessoas que convivem com o problema. Neste sentido também é importante realizar diferentes formas de amostragem, desde avaliações sazonais, até diagnósticos ecológicos rápidos. As informações disponíveis sobre organismos invasores como A. fulica servem como subsídio de conhecimento sobre a espécie em busca de prevenir que se tornem invasores e contribui para estabelecer diretrizes para a realização do manejo e controle nos locais onde já estão estabelecidos. Portanto, após o levantamento das informações a primeira etapa do manejo é diagnosticar o perfil de ocupação do invasor, que no caso de A. fulica está associado ao ambiente antrópico. Posteriormente é preciso escolher a melhor medida de controle a ser utilizada e adaptá-la a realidade local. Dentre as três formas existentes, a medida de controle biológico parece sedutora e vantajosa, pois utiliza o serviço da natureza reduzindo os custos de mão de obra e equipamentos. Porém no caso de A. fulica a ausência de um agente de controle biológico específico torna esta alternativa totalmente inviável. O controle químico de A. fulica também possui a vantagem de reduzir custos de mão de obra, no entanto a aquisição dos equipamentos e dos moluscicidas faz desta a alternativa mais cara. Outra desvantagem do controle químico é a falta de produtos específicos e a elevada toxicidade e permanência do veneno no ambiente, colocando em risco tanto a biodiversidade quanto à saúde humana. A coleta manual apesar de constituir o método mais antigo para controlar populações de moluscos terrestres é ainda o mais eficiente. Esta medida é composta pela catação dos moluscos e a integração entre o saneamento e a educação ambiental. A coleta manual é ainda no presente utilizada com sucesso para controlar e erradicar pequenas infestações de moluscos terrestres, mas de maneira direcionada também foi utilizada com êxito na erradicação de grandes infestações de A. fulica. Por tanto é a medida recomendada para solucionar o problema do caramujo africano.

O plano de controle de A. fulica e o sucesso da ação de manejo depende inicialmente do trabalho de profissionais especializados que possam avaliar e caracterizar o perfil da população do invasor. Em seguida, estes profissionais devem integrar a sociedade ao problema do caramujo invasor, pois a ocorrência do invasor associado ao ambiente antrópico faz da sociedade o principal instrumento na ação de controle. Os profissionais capacitados devem monitorar a captura, identificação e o sacrifício dos moluscos para evitar que os espécimes nativos sejam confundidos com o exótico. O monitoramento deve ser contínuo para evitar atitudes errôneas de controle que contribuam para mortalidade de espécies nativas, bem com para o destino final da espécie invasora, pois colocar os animais em sacos de lixo, enterrar ou descartar em rios não resulta necessariamente em morte e pode contribuir para sua disseminação. A comunidade acadêmica possui papel fundamental nestas ações, pois contribuem com novas pesquisas que permitem conhecer melhor a espécie invasora e buscar métodos alternativos ou novas tecnologias para o controle da praga. O trabalho de ação deve contar com a participação destas três parcelas da sociedade de forma conjunta, clara e freqüente.


COLLEY, E. & FISCHER, ML. 2009. Avaliação dos problemas enfrentados no manejo do Caramujo Gigante Africano Achatina fulica (Gastropoda, Pulmonata) no Brasil. Revista Brasileira de Zoologia. V. 26, P. 674-683. Disponível na internet no endereço : http://www.scielo.br/pdf/zool/v26n4/v26n4a12.pdf

FISCHER, ML. & COSTA, LCM. 2010. O caramujo Gigante Africano Achatina fulica no Brasil. Curitiba: Champanhagt, 2010. Disponível na biblioteca da PUCPR.